Dr. André Martins

Se você chegou até aqui, provavelmente está incomodado com o seu padrão urinário. Talvez esteja acordando várias vezes à noite para urinar, ou percebendo que o jato não é mais o mesmo. Isso é extremamente comum — e, na maioria das vezes, tem solução.

A hiperplasia benigna da próstata (HBP) é uma das condições que eu mais vejo no consultório. E algo que sempre faço questão de deixar claro logo no início: você não precisa conviver com isso achando que “faz parte da idade”.

Antes de tudo: o que é a próstata e por que ela aumenta?

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino que fica logo abaixo da bexiga e envolve a uretra, o canal por onde a urina sai.

Com o passar dos anos, principalmente após os 40–50 anos, é natural que essa glândula aumente de tamanho. Esse crescimento é benigno, ou seja, não é câncer. O problema é que, ao crescer, a próstata começa a comprimir a uretra, dificultando a passagem da urina.

É esse processo que chamamos de hiperplasia benigna da próstata.

Como esse aumento da próstata aparece no dia a dia?

Diferente do que muitos imaginam, os sintomas não surgem de uma hora para outra. Eles vão aparecendo aos poucos, de forma progressiva — e é justamente por isso que muitos homens acabam se acostumando.

No consultório, eu escuto com frequência frases como:
“Doutor, sempre foi assim… achei que era normal.”

Mas não é.

Os sinais mais comuns incluem:

  • Jato de urina mais fraco
  • Demora para começar a urinar
  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
  • Necessidade de fazer força para urinar
  • Interrupções durante o jato

E existe um sintoma que costuma incomodar bastante:

  • Acordar várias vezes à noite para urinar

Esse último, inclusive, impacta diretamente na qualidade do sono e no cansaço durante o dia.

Um caso comum que vejo no consultório

Lembro de um paciente de 56 anos que me procurou porque estava exausto. Ele acordava três, às vezes quatro vezes por noite para urinar.

Durante o dia, começou a evitar beber água para não passar aperto na rua. Isso afetou o trabalho, o humor e até o convívio com a família.

Após a avaliação, identificamos HBP. Iniciamos tratamento clínico e, em poucas semanas, ele já relatava noites muito mais tranquilas.

Esse tipo de melhora é muito mais comum do que as pessoas imaginam.

Isso é só um incômodo ou pode virar algo mais sério?

No início, a HBP costuma ser mais um desconforto do que um risco. Mas, quando ignorada, pode evoluir.

Já atendi pacientes que chegaram com complicações por terem adiado a avaliação por anos.

Entre os possíveis problemas estão:

  • Retenção urinária (quando a pessoa simplesmente não consegue urinar)
  • Infecções urinárias frequentes
  • Formação de pedras na bexiga
  • Comprometimento dos rins em casos mais avançados

Por isso, esperar demais não costuma ser uma boa estratégia.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com algo simples: ouvir você.

Entender o que está acontecendo no seu dia a dia faz toda a diferença. A partir disso, sigo com exame físico e, quando necessário, solicito alguns exames.

Os mais comuns são:

  • PSA (exame de sangue)
  • Ultrassom das vias urinárias
  • Fluxometria urinária

Nem todo paciente precisa de todos os exames. Cada caso é avaliado de forma individual.

Precisa operar?

Essa é uma das maiores preocupações de quem chega no consultório.

E a resposta, na maioria das vezes, é não.

Grande parte dos pacientes melhora muito bem sem cirurgia.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento depende do grau dos sintomas e do impacto na sua rotina.

Em casos mais leves, muitas vezes apenas algumas orientações já ajudam bastante. Ajustes simples, como reduzir o consumo de líquidos à noite, evitar excesso de café e álcool e não segurar a urina por longos períodos, já fazem diferença.

Quando os sintomas incomodam mais, usamos medicações que ajudam a relaxar a próstata e melhorar o fluxo urinário. Em alguns casos, também utilizamos medicamentos que reduzem o tamanho da próstata ao longo do tempo.

Se os remédios não forem suficientes ou não forem bem tolerados, existem procedimentos modernos, minimamente invasivos, com recuperação rápida.

A cirurgia fica reservada para situações específicas, geralmente quando há complicações ou sintomas mais intensos. Hoje, as técnicas são muito mais seguras e eficazes do que antigamente.

HBP pode virar câncer?

Essa dúvida aparece praticamente em toda consulta.

A HBP é uma condição benigna e não se transforma em câncer.

Mas um homem pode ter HBP e câncer de próstata ao mesmo tempo. Por isso, a avaliação médica é fundamental para diferenciar as situações.

Quando é hora de procurar um urologista?

Se você percebeu qualquer mudança no seu padrão urinário, já vale investigar.

Principalmente se você:

  • Está urinando com dificuldade
  • Acorda várias vezes à noite
  • Sente que a bexiga não esvazia completamente
  • Percebeu que o jato está mais fraco

Quanto antes avaliarmos, mais simples tende a ser o tratamento.

Um recado importante

Muitos homens acabam normalizando sintomas que, na verdade, têm solução.

Dormir mal, viver procurando banheiro ou evitar sair de casa por medo de não conseguir urinar não precisa ser o seu normal.

Eu vejo isso todos os dias — e também vejo o quanto o tratamento certo muda completamente a qualidade de vida.

Conclusão

A hiperplasia benigna da próstata é extremamente comum, especialmente após os 50 anos. Ainda assim, muitos homens convivem com os sintomas por anos sem buscar ajuda.

A boa notícia é que existem diversas formas de tratamento, seguras e eficazes.

Se você se identificou com esse quadro, não ignore. Uma avaliação simples pode fazer uma diferença enorme no seu dia a dia.

E, na prática, quanto antes você cuida disso, mais tranquilo costuma ser o caminho.