Dr. André Martins https://drandremartinsuro.com Urologista Fri, 26 Jun 2026 13:50:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://drandremartinsuro.com/wp-content/uploads/2026/04/cropped-cropped-Untitled-68-x-60-px-32x32.png Dr. André Martins https://drandremartinsuro.com 32 32 Cirurgia robótica para câncer de próstata: como funciona e por que tem sido cada vez mais escolhida https://drandremartinsuro.com/cirurgia-robotica/ Fri, 26 Jun 2026 13:49:28 +0000 https://drandremartinsuro.com/?p=187 Se você está pesquisando sobre cirurgia robótica para câncer de próstata, é bem provável que já tenha passado pelo diagnóstico — e, junto com ele, vieram dúvidas, inseguranças e muitas decisões importantes.

E eu quero te dizer algo importante logo no início: hoje nós temos tecnologia suficiente para tratar o câncer de próstata com muito mais precisão e segurança do que há alguns anos.

A cirurgia robótica é um dos maiores avanços nesse cenário.

O que é a cirurgia robótica, na prática?

Apesar do nome, não existe um “robô operando sozinho”.

Quem realiza a cirurgia sou eu, o urologista. O robô é uma ferramenta extremamente avançada que traduz os meus movimentos com muito mais precisão.

Funciona assim:

  • Eu fico em um console controlando os movimentos
  • Os braços robóticos reproduzem esses movimentos com precisão milimétrica
  • A visão é ampliada em 3D, com alta definição

Isso permite uma cirurgia muito mais delicada, especialmente em uma região como a próstata, que fica cercada por estruturas importantes.

Em quais casos ela é indicada?

A cirurgia robótica é uma das principais opções para tratar o câncer de próstata localizado — ou seja, quando a doença ainda está restrita à próstata.

Ela costuma ser indicada quando:

  • O câncer precisa ser tratado de forma definitiva
  • O paciente tem condições clínicas para cirurgia
  • Existe expectativa de benefício com a retirada da próstata

Mas essa decisão nunca é automática. Sempre envolve uma avaliação cuidadosa de cada caso.

Como a cirurgia é feita?

A cirurgia robótica para câncer de próstata é chamada de prostatectomia radical.

De forma simplificada, o que fazemos é:

  1. Remover a próstata
  2. Retirar as vesículas seminais
  3. Reconectar a bexiga à uretra

Tudo isso é feito por pequenos orifícios no abdômen, sem cortes grandes.

Essa abordagem minimamente invasiva já traz algumas vantagens importantes.

Um caso que representa bem esse cenário

Atendi um paciente de 59 anos, ativo, que recebeu o diagnóstico de câncer de próstata em fase inicial.

Uma das maiores preocupações dele era o impacto da cirurgia na qualidade de vida, principalmente em relação à função sexual e ao controle urinário.

Optamos pela cirurgia robótica.

O procedimento ocorreu bem, e com o acompanhamento adequado, ele recuperou o controle urinário progressivamente e manteve uma boa função erétil.

Esse é o tipo de resultado que buscamos — tratar o câncer sem perder qualidade de vida.

Quais são as vantagens da cirurgia robótica?

Na prática, a tecnologia robótica traz benefícios importantes:

  • Maior precisão nos movimentos
  • Melhor visualização das estruturas (visão 3D ampliada)
  • Menor sangramento
  • Menor dor no pós-operatório
  • Recuperação mais rápida
  • Menor tempo de internação

Mas existe um ponto que considero ainda mais relevante:

A possibilidade de preservar estruturas importantes, como os nervos responsáveis pela ereção, quando isso é oncologicamente seguro.

E quanto aos riscos?

É importante ser transparente.

Mesmo com tecnologia avançada, a cirurgia ainda envolve riscos, como qualquer procedimento.

Os principais pontos que discutimos antes da cirurgia são:

  • Incontinência urinária
  • Disfunção erétil
  • Sangramento ou infecção (menos comuns)

A boa notícia é que, com técnica adequada e experiência da equipe, conseguimos reduzir bastante essas chances.

A recuperação é tranquila?

De forma geral, sim.

O paciente costuma:

  • Ficar internado por 1 a 2 dias
  • Usar sonda urinária por alguns dias
  • Retomar atividades leves relativamente rápido

A recuperação completa varia de pessoa para pessoa, principalmente em relação ao controle urinário e à função sexual.

A cirurgia robótica garante cura?

A cirurgia é uma forma de tratamento com intenção curativa — especialmente quando o câncer está localizado.

Mas o resultado depende de vários fatores, como:

  • Estágio da doença
  • Agressividade do tumor
  • Condições do paciente

Por isso, o acompanhamento após a cirurgia é fundamental.

O robô faz diferença mesmo?

Essa é uma pergunta muito comum.

E a resposta honesta é: sim, faz — principalmente em termos de precisão e recuperação.

Mas existe um ponto ainda mais importante do que a tecnologia:

A experiência do cirurgião.

O robô potencializa o resultado, mas é a técnica e o julgamento clínico que fazem a diferença no longo prazo.

Um ponto que eu sempre faço questão de reforçar

Quando falamos de câncer de próstata, não estamos tratando apenas a doença.

Estamos tratando um homem que quer continuar com qualidade de vida, autonomia e bem-estar.

A escolha do tratamento precisa levar tudo isso em consideração.

Conclusão

A cirurgia robótica representa um dos maiores avanços no tratamento do câncer de próstata.

Ela permite tratar a doença com alta precisão, menor impacto no corpo e recuperação mais rápida quando comparada às técnicas tradicionais.

Se você recebeu esse diagnóstico e está avaliando opções, entender bem cada abordagem é fundamental para tomar uma decisão segura.

E, na prática, uma boa conversa com um especialista faz toda a diferença nesse momento.

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Câncer de próstata: como identificar cedo e quais são as reais chances de cura https://drandremartinsuro.com/cancer-de-prostata/ Fri, 26 Jun 2026 13:42:54 +0000 https://drandremartinsuro.com/?p=184 Se você pesquisou sobre câncer de próstata, provavelmente isso veio acompanhado de preocupação — seja por um exame alterado, por histórico na família ou até por algum sintoma.

E eu quero começar sendo direto com você: na maioria dos casos, quando descoberto no tempo certo, o câncer de próstata tem altas chances de cura.

No consultório, eu vejo diariamente o impacto que a informação correta (e no momento certo) faz na vida do paciente.

O que é o câncer de próstata, na prática?

A próstata é uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino. Com o passar dos anos, ela pode sofrer algumas alterações — e uma delas é o surgimento de células cancerígenas.

O câncer de próstata acontece quando algumas células dessa glândula passam a crescer de forma descontrolada.

Mas existe um ponto muito importante: nem todo câncer de próstata é agressivo.

Alguns crescem lentamente e podem nunca causar problemas. Outros são mais rápidos e exigem tratamento imediato.

Por isso, o acompanhamento adequado faz toda a diferença.

Isso é comum?

Sim — e bastante.

O câncer de próstata é um dos tipos de câncer mais frequentes entre os homens, especialmente após os 50 anos.

E aqui entra um detalhe importante: muitos homens têm a doença sem saber, justamente porque ela pode não causar sintomas no início.

O que um homem com câncer de próstata sente?

Essa é uma das partes mais importantes de entender.

Na fase inicial, que é justamente quando temos maior chance de cura, o câncer de próstata geralmente não causa nenhum sintoma.

Por isso, esperar “sentir algo” não é uma boa estratégia.

Quando os sinais aparecem, muitas vezes a doença já está mais avançada.

Ainda assim, alguns homens podem perceber:

  • Dificuldade para urinar
  • Jato urinário fraco
  • Vontade frequente de urinar, inclusive à noite
  • Presença de sangue na urina ou no sêmen
  • Dor óssea em casos mais avançados

Mas reforço: na maioria das vezes, esses sintomas não aparecem no começo.

Um caso real que ilustra bem isso

Lembro de um paciente de 62 anos que veio ao consultório apenas para um check-up de rotina, sem nenhuma queixa.

O PSA estava discretamente alterado. Investigamos melhor e identificamos um câncer de próstata em fase inicial.

Ele foi tratado no tempo certo — e hoje segue bem, sem sinais da doença.

Esse é exatamente o cenário que buscamos: diagnóstico precoce.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico não depende de um único exame, mas sim de uma avaliação completa.

No consultório, normalmente seguimos alguns passos:

  • Conversa detalhada sobre histórico e fatores de risco
  • Exame de PSA (sangue)
  • Toque retal, quando indicado
  • Exames de imagem, como ressonância multiparamétrica
  • Biópsia da próstata, quando há suspeita

Cada etapa tem seu papel, e nem todo paciente precisa passar por tudo de uma vez.

PSA alto significa câncer?

Não necessariamente.

Essa é uma dúvida extremamente comum.

O PSA pode aumentar por vários motivos, como:

  • Aumento benigno da próstata (HBP)
  • Inflamações (prostatite)
  • Infecções urinárias

Por isso, um PSA alterado não fecha diagnóstico — ele apenas acende um sinal de alerta para investigarmos melhor.

Quem tem mais risco de desenvolver a doença?

Alguns fatores aumentam o risco:

  • Idade acima de 50 anos
  • Histórico familiar (pai ou irmão com câncer de próstata)
  • Estilo de vida (alimentação, sedentarismo)

Homens com histórico familiar, por exemplo, devem começar o acompanhamento mais cedo.

Precisa tratar todo câncer de próstata?

Não.

E isso surpreende muita gente.

Existem casos em que o tumor é pequeno, pouco agressivo e pode ser apenas acompanhado com segurança — o que chamamos de vigilância ativa.

Por outro lado, quando o câncer tem características mais agressivas, o tratamento é indicado.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento depende de vários fatores, como estágio da doença, idade e condições de saúde do paciente.

As principais opções incluem:

  • Vigilância ativa (acompanhamento próximo)
  • Cirurgia para retirada da próstata
  • Radioterapia
  • Terapias hormonais

Cada caso é único — não existe uma única resposta para todos.

Cirurgia de próstata: o que realmente preocupa os pacientes

Essa é uma das conversas mais importantes no consultório.

As duas maiores preocupações costumam ser:

  • Disfunção erétil
  • Incontinência urinária

E é fundamental falar sobre isso com clareza.

Com as técnicas atuais, especialmente as minimamente invasivas, conseguimos reduzir bastante esses riscos — mas eles ainda existem e precisam ser discutidos de forma individual.

Câncer de próstata tem cura?

Sim — principalmente quando diagnosticado precocemente.

Esse é o ponto mais importante de todo esse artigo.

Quando identificado nas fases iniciais, as chances de cura são altas.

Por outro lado, quando descoberto tardiamente, o tratamento se torna mais complexo.

Quando começar a se cuidar?

De forma geral:

  • A partir dos 50 anos para homens sem fatores de risco
  • A partir dos 45 anos para quem tem histórico familiar

Mas, na prática, isso pode variar. Por isso, uma avaliação individual sempre é o melhor caminho.

Um recado importante que eu sempre dou aos meus pacientes

Muitos homens ainda evitam o urologista por medo, preconceito ou desinformação.

Mas o cuidado com a saúde não pode ser deixado de lado.

Na prática, eu vejo dois cenários muito diferentes:

  • Quem descobre cedo e resolve de forma mais simples
  • Quem adia e enfrenta tratamentos mais complexos

A diferença entre esses dois caminhos costuma ser o tempo.

Conclusão

O câncer de próstata é uma doença comum, muitas vezes silenciosa, mas com grandes chances de cura quando diagnosticada precocemente.

A informação correta e o acompanhamento adequado fazem toda a diferença.

Se você está na faixa etária de risco ou nunca fez uma avaliação, esse pode ser o momento ideal para começar.

E, muitas vezes, um simples check-up pode mudar completamente o rumo da sua saúde.

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HoLEP (Enucleação da Próstata com Laser): uma das cirurgias mais modernas para tratar próstata aumentada https://drandremartinsuro.com/holep/ Fri, 26 Jun 2026 13:36:12 +0000 https://drandremartinsuro.com/?p=181 Se você chegou até aqui, é bem provável que já tenha sido diagnosticado com aumento da próstata ou esteja investigando opções de tratamento mais definitivas.

E eu vou ser direto com você: hoje existem técnicas muito mais modernas, seguras e eficazes do que aquelas cirurgias antigas que muita gente ainda tem na cabeça.

Uma delas é o HoLEP — um procedimento que, na prática, tem mudado completamente a forma como tratamos a hiperplasia benigna da próstata.

Primeiro, o que é exatamente o HoLEP?

HoLEP é a sigla para Enucleação da Próstata com Laser de Holmium.

Traduzindo para uma linguagem mais simples: é uma cirurgia feita sem cortes externos, em que utilizamos um laser para remover a parte da próstata que está obstruindo a passagem da urina.

Ao invés de “raspar” a próstata (como nas técnicas mais antigas), nós removemos o tecido de forma mais completa, o que traz resultados mais duradouros.

Em quais situações esse tipo de cirurgia é indicado?

Nem todo paciente com próstata aumentada precisa operar. Mas, quando precisa, o HoLEP é hoje uma das melhores opções.

Eu costumo indicar esse procedimento principalmente quando:

  • Os sintomas urinários estão muito intensos
  • O paciente não melhora com medicação
  • Já houve retenção urinária (travou para urinar)
  • Existem infecções urinárias recorrentes
  • A próstata está muito aumentada
  • Há prejuízo na função da bexiga ou dos rins

Inclusive, uma vantagem importante do HoLEP é que ele pode ser realizado mesmo em próstatas bem grandes — algo que, no passado, exigia cirurgias mais invasivas.

Como essa cirurgia é feita na prática?

Essa é uma dúvida muito comum — e também um dos pontos que mais tranquilizam os pacientes quando explico.

O procedimento é feito através da uretra, ou seja, não há cortes na pele.

Funciona assim:

  1. Introduzimos um aparelho fino pelo canal urinário
  2. Utilizamos o laser para “descolar” a parte interna da próstata que está causando a obstrução
  3. Esse tecido é empurrado para dentro da bexiga
  4. Depois, ele é fragmentado e removido

Tudo isso com alta precisão e controle de sangramento.

Um caso que ilustra bem isso

Atendi um paciente de 68 anos com próstata bastante aumentada, que já tinha passado por episódios de retenção urinária.

Ele chegou com bastante receio de cirurgia, principalmente por histórias antigas que tinha ouvido.

Optamos pelo HoLEP. O procedimento ocorreu bem, e em poucos dias ele já estava urinando com um fluxo que não tinha há anos.

Na revisão, ele me disse algo que escuto com frequência:
“Doutor, eu devia ter feito isso antes.”

Como é a recuperação?

Esse é outro ponto forte do HoLEP.

Na maioria dos casos:

  • A internação é curta (geralmente 1 dia)
  • O uso de sonda é temporário
  • O retorno às atividades acontece de forma relativamente rápida

Claro, existem cuidados no pós-operatório, como evitar esforço físico intenso por um período, mas, de forma geral, a recuperação é muito mais tranquila do que muitos imaginam.

Quais são os benefícios em relação às técnicas mais antigas?

Aqui é onde o HoLEP realmente se destaca.

Entre as principais vantagens:

  • Menor sangramento
  • Pode ser realizado em próstatas grandes
  • Baixa taxa de retratamento (resultado mais duradouro)
  • Recuperação mais rápida
  • Menor tempo de internação

Na prática, isso significa mais segurança e melhores resultados a longo prazo.

Existem riscos?

Como qualquer procedimento médico, existem riscos — e é importante falar disso com transparência.

Os principais pontos que discutimos antes da cirurgia incluem:

  • Ardência ao urinar nos primeiros dias
  • Pequeno sangramento no pós-operatório
  • Ejaculação retrógrada (o sêmen não sai pela uretra)

Esse último ponto é bastante comum após cirurgias de próstata e precisa ser conversado com clareza antes da decisão.

O HoLEP afeta a ereção?

Essa é uma pergunta muito frequente no consultório.

De forma geral, o HoLEP não tem impacto significativo na ereção. O procedimento atua na parte interna da próstata, sem interferir diretamente nos nervos responsáveis pela função erétil.

Mesmo assim, cada paciente é único e essa conversa sempre é individualizada.

Quem é um bom candidato para o HoLEP?

De forma resumida, o HoLEP é uma excelente opção para:

  • Homens com próstata aumentada e sintomas moderados a graves
  • Pacientes que não melhoraram com medicamentos
  • Pessoas que desejam uma solução mais definitiva
  • Casos de próstata volumosa

Mas a decisão nunca é “automática”. Ela sempre vem após avaliação detalhada.

Um ponto importante que eu sempre explico

Muitos pacientes chegam com medo de cirurgia por experiências de conhecidos ou histórias antigas.

Mas a urologia evoluiu muito.

Hoje, temos tecnologias que permitem tratar o problema de forma muito mais precisa, com menos impacto no corpo e recuperação mais rápida.

E o HoLEP é um excelente exemplo disso.

Conclusão

A enucleação da próstata com laser (HoLEP) é uma das técnicas mais modernas e eficazes para tratar a hiperplasia benigna da próstata, especialmente em casos mais avançados.

Ela oferece resultados duradouros, com segurança e recuperação mais tranquila quando comparada a métodos mais antigos.

Se você já tentou tratamento com medicamentos e não teve melhora, ou se foi orientado a considerar cirurgia, vale muito a pena entender se o HoLEP é a melhor opção para o seu caso.

E, na prática, uma avaliação bem feita faz toda a diferença na escolha do tratamento ideal.

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Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP): quando a próstata cresce e começa a atrapalhar o dia a dia https://drandremartinsuro.com/hiperplasia-benigna-da-prostata/ Fri, 26 Jun 2026 13:28:39 +0000 https://drandremartinsuro.com/?p=177 Se você chegou até aqui, provavelmente está incomodado com o seu padrão urinário. Talvez esteja acordando várias vezes à noite para urinar, ou percebendo que o jato não é mais o mesmo. Isso é extremamente comum — e, na maioria das vezes, tem solução.

A hiperplasia benigna da próstata (HBP) é uma das condições que eu mais vejo no consultório. E algo que sempre faço questão de deixar claro logo no início: você não precisa conviver com isso achando que “faz parte da idade”.

Antes de tudo: o que é a próstata e por que ela aumenta?

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino que fica logo abaixo da bexiga e envolve a uretra, o canal por onde a urina sai.

Com o passar dos anos, principalmente após os 40–50 anos, é natural que essa glândula aumente de tamanho. Esse crescimento é benigno, ou seja, não é câncer. O problema é que, ao crescer, a próstata começa a comprimir a uretra, dificultando a passagem da urina.

É esse processo que chamamos de hiperplasia benigna da próstata.

Como esse aumento da próstata aparece no dia a dia?

Diferente do que muitos imaginam, os sintomas não surgem de uma hora para outra. Eles vão aparecendo aos poucos, de forma progressiva — e é justamente por isso que muitos homens acabam se acostumando.

No consultório, eu escuto com frequência frases como:
“Doutor, sempre foi assim… achei que era normal.”

Mas não é.

Os sinais mais comuns incluem:

  • Jato de urina mais fraco
  • Demora para começar a urinar
  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
  • Necessidade de fazer força para urinar
  • Interrupções durante o jato

E existe um sintoma que costuma incomodar bastante:

  • Acordar várias vezes à noite para urinar

Esse último, inclusive, impacta diretamente na qualidade do sono e no cansaço durante o dia.

Um caso comum que vejo no consultório

Lembro de um paciente de 56 anos que me procurou porque estava exausto. Ele acordava três, às vezes quatro vezes por noite para urinar.

Durante o dia, começou a evitar beber água para não passar aperto na rua. Isso afetou o trabalho, o humor e até o convívio com a família.

Após a avaliação, identificamos HBP. Iniciamos tratamento clínico e, em poucas semanas, ele já relatava noites muito mais tranquilas.

Esse tipo de melhora é muito mais comum do que as pessoas imaginam.

Isso é só um incômodo ou pode virar algo mais sério?

No início, a HBP costuma ser mais um desconforto do que um risco. Mas, quando ignorada, pode evoluir.

Já atendi pacientes que chegaram com complicações por terem adiado a avaliação por anos.

Entre os possíveis problemas estão:

  • Retenção urinária (quando a pessoa simplesmente não consegue urinar)
  • Infecções urinárias frequentes
  • Formação de pedras na bexiga
  • Comprometimento dos rins em casos mais avançados

Por isso, esperar demais não costuma ser uma boa estratégia.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com algo simples: ouvir você.

Entender o que está acontecendo no seu dia a dia faz toda a diferença. A partir disso, sigo com exame físico e, quando necessário, solicito alguns exames.

Os mais comuns são:

  • PSA (exame de sangue)
  • Ultrassom das vias urinárias
  • Fluxometria urinária

Nem todo paciente precisa de todos os exames. Cada caso é avaliado de forma individual.

Precisa operar?

Essa é uma das maiores preocupações de quem chega no consultório.

E a resposta, na maioria das vezes, é não.

Grande parte dos pacientes melhora muito bem sem cirurgia.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento depende do grau dos sintomas e do impacto na sua rotina.

Em casos mais leves, muitas vezes apenas algumas orientações já ajudam bastante. Ajustes simples, como reduzir o consumo de líquidos à noite, evitar excesso de café e álcool e não segurar a urina por longos períodos, já fazem diferença.

Quando os sintomas incomodam mais, usamos medicações que ajudam a relaxar a próstata e melhorar o fluxo urinário. Em alguns casos, também utilizamos medicamentos que reduzem o tamanho da próstata ao longo do tempo.

Se os remédios não forem suficientes ou não forem bem tolerados, existem procedimentos modernos, minimamente invasivos, com recuperação rápida.

A cirurgia fica reservada para situações específicas, geralmente quando há complicações ou sintomas mais intensos. Hoje, as técnicas são muito mais seguras e eficazes do que antigamente.

HBP pode virar câncer?

Essa dúvida aparece praticamente em toda consulta.

A HBP é uma condição benigna e não se transforma em câncer.

Mas um homem pode ter HBP e câncer de próstata ao mesmo tempo. Por isso, a avaliação médica é fundamental para diferenciar as situações.

Quando é hora de procurar um urologista?

Se você percebeu qualquer mudança no seu padrão urinário, já vale investigar.

Principalmente se você:

  • Está urinando com dificuldade
  • Acorda várias vezes à noite
  • Sente que a bexiga não esvazia completamente
  • Percebeu que o jato está mais fraco

Quanto antes avaliarmos, mais simples tende a ser o tratamento.

Um recado importante

Muitos homens acabam normalizando sintomas que, na verdade, têm solução.

Dormir mal, viver procurando banheiro ou evitar sair de casa por medo de não conseguir urinar não precisa ser o seu normal.

Eu vejo isso todos os dias — e também vejo o quanto o tratamento certo muda completamente a qualidade de vida.

Conclusão

A hiperplasia benigna da próstata é extremamente comum, especialmente após os 50 anos. Ainda assim, muitos homens convivem com os sintomas por anos sem buscar ajuda.

A boa notícia é que existem diversas formas de tratamento, seguras e eficazes.

Se você se identificou com esse quadro, não ignore. Uma avaliação simples pode fazer uma diferença enorme no seu dia a dia.

E, na prática, quanto antes você cuida disso, mais tranquilo costuma ser o caminho.

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